domingo, 28 de outubro de 2012

Papa agradece aos padres sinodais

No final da sessão de trabalhos da manhã dese sábado, 27 de outubro, Bento XVI proferiu um discurso aos Padres sinodais, anunciando que decidiu, depois de muito refletir e orar, transferir a competência sobre os Seminários da Congregação para a Educação Católica para a Congregação para o Clero, e a competência sobre a Catequese da Congregação para o Clero ao Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização.

"Seguirão os documentos relativos em forma de Carta Apostólica Motu Proprio para definir os âmbitos e suas respectivas faculdades. Peçamos ao Senhor para que acompanhe os três dicastérios da Cúria Romana nesta importante missão, com a colaboração de toda a Igreja" – frisou o pontífice.

O Papa saudou os futuros novos cardeais. "Quis com este pequeno Consistório completar o Consistório de fevereiro, no contexto da Nova Evangelização, com um gesto da universalidade da Igreja, mostrando que a Igreja é Igreja de todos os povos, fala em todas as línguas, é sempre Igreja em Pentecostes; e não Igreja num continente, mas Igreja universal. Quis expressar este contexto, esta universalidade da Igreja que é também a expressão bonita desse Sínodo" – destacou o Santo Padre.

"Para mim foi realmente edificante, reconfortante e animador ver aqui uma expressão da Igreja universal, com seus sofrimentos, ameaças, perigos e alegrias, experiências da presença do Senhor, também nas situações difíceis" – disse ainda.

"A Igreja sente os ventos contrários, mas sente, sobretudo, o vento do Espírito Santo que nos ajuda, nos mostra o caminho certo, e assim, com renovado entusiasmo, caminhamos e agradecemos a Deus por nos dar este encontro realmente católico" – frisou Bento XVI.

O Santo Padre agradeceu aos Padres sinodais e a todos aqueles que trabalharam na realização do Sínodo. "Agora, essas proposições são um testamento, um dom ofertado a mim em benefício de todos, que será elaborado num documento vindo da vida e que deve gerar vida" – concluiu o Papa.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Instalação do Comissariado Geral dos Carmelitas do Paraná



PRIMEIRA ASSEMBLEIA DE CATEQUESE DA PARÓQUIA SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS MENINO- LUCENA PB

Aconteceu neste dia 21 de outubro (domingo), nossa primeira Assembleia de Catequese Paroquial, reunindo 99/% das catequistas da paroquia, no salão São Paulo Apóstolo no Santuário da Guia em Lucena. Nossa Assembleia teve inicio com a celebração Eucarística presidida pelo Frei Geraldo Bezerra de Sousa, que acolheu todos os participantes na Igreja Santuário de Nossa Senhora da Guia as 7:30 da manhã.
A Assembleia teve como tema o Ano da Fé - frei Geraldo Bezerra, OC destacou os aspectos fundamentais para se viver mais intensamente a fé em Jesus Cristo - A vivencia da Palavra de Deus - usar na catequese e nos encontros mensais - ou seja, colocar a Palavra no centro. Além do uso da Palavra de Deus, o CIC deverá ser bem utilizado para alimentar a fé nas comunidades.

A pós a reflexão e exortação, os catequistas foram orientados para trabalharem em grupos por comunidade - lançar um olhar sobre a caminhada catequética na paróquia à luz da II Assembleia paroquia realizada em fevereiro deste ano. Os catequistas trabalharam com afinco e por volta das 10:30 retornaram para o plenário onde partilharam os resultados dos trabalhos em grupos: Todos os pontos foram acolhidos pela assembleia, levando cada catequista se situar no chão concreto da caminhada da catequese em nível de paróquia e cada qual pode discutir com seriedade sobre os desafios e soluções diante de alguns entraves.

O evento foi marcado pela tranquilidade nas discussões através da moderação do Frei Geraldo Bezerra, OC que foi direcionando as passos de cada discussão para se chegar ao bom termo sem perder o horizonte da fé. Graças a Deus, nossa catequese traz alguns traços positivos que seguramente ajudarão na construção de uma Igreja mais participativa na ação evangelizadora:
* A jovialidade dos membros da catequese - 99% são jovens que assumem a missão de catequista. O acompanhamento mensal da catequese através da reunião com os coordenadores das comunidades . A sintonia com o Pároco que tem facilitado o acesso das catequistas para resolver alguns desafios. A gincana catequética que tem sido até o momento muito rico no aspecto evangelizador em nível de Paróquia. Que Deus Abençoe a todos. 

           Frei Geraldo Bezerra de Souza, O.carm. 
Pároco e Reitor do Santuário da Guia

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Arquidiocese de Olinda e Recife reúne multidão para dizer ‘Sim à Vida


“Um grito profético em defesa da vida”. Assim, o arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, descreve a Caminhada Sim à Vida. Realizada há seis anos na Orla de Boa Viagem (com concentração em frente ao Castelinho e seguindo até o 2º Jardim), a manifestação tem como objetivo denunciar as práticas que ameaçam a vida desde a sua concepção até o seu fim natural. O evento será no próximo domingo, 21, e é realizado pela arquidiocese, por meio da Comissão Arquidiocesana de Pastoral para a Vida e a Família. Em 2011, cerca de 150 mil pessoas encheram a avenida de alegria e esperança.

A caminhada sempre reuniu padres, religiosos e membros das 109 paróquias do território arquidiocesano. Além de contar com o apoio e participação de pessoas de outras religiões, mas que igualmente consideram a vida um dom supremo dado por Deus. Este ano, o “Sim à Vida” terá um caráter estadual. Bispos e delegações das nove dioceses que compõem a Província Eclesiástica de Olinda e Recife (Nazaré, Petrolina, Caruaru, Garanhuns, Floresta, Palmares, Afogados da Ingazeira, Pesqueira e Salgueiro) já confirmaram presença.


Em abril deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou não ser crime o aborto de fetos que se desenvolvem sem cérebro ou parte dele. Em nota a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, lamentou a decisão: “Legalizar o aborto de fetos com anencefalia, erroneamente diagnosticados como mortos cerebrais, é descartar um ser humano frágil e indefeso. A ética que proíbe a eliminação de um ser humano inocente, não aceita exceções.”

Segundo estimativas, com base em registros do Sistema Único de Saúde (SUS) de internações hospitalares causadas por abortos, ocorrem cerca de 1,5 milhões de abortos a cada ano. ‘É como se fosse eliminada totalmente a população de Porto Alegre, ou do Recife, ou de Campinas e Niterói juntas.’


O aborto é uma das inúmeras ameaças à vida, que preocupam Dom Fernando Saburido. “Diariamente, vemos ou somos informados de práticas contrárias à vida plena. Entre elas: o uso de drogas, extermínio de jovens, índios e negros. Não podemos cruzar os braços. Temos que agir e impedir que tais crimes se tornem banais e rotineiros”, enfatizou o arcebispo.

Outro caso preocupante é o número de jovens usuários de drogas. O Instituto Nacional de Pesquisa de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas (Inpad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) realizou pesquisa e revelou que ‘o Brasil é o maior mercado mundial do crack e o segundo maior de cocaína’. O levantamento divulgado no mês de setembro indica ainda que país é responsável por 20% do consumo mundial do crack.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Carmelitas, amigos de Deus


O texto a seguir é um resumo da manhã de espiritualidade carmelitana conferida por mim à Ordem Terceira do Carmo de João Pessoa (13.10.2012). Tratarei da amizade apresentando um conceito e o aplicando a Deus, tendo como base a Sagrada Escritura, e ao ser humano, tendo como base os ensinamentos de Santa Teresa de Jesus.

O QUE É AMIZADE?
A amizade é um relacionamento humano que se baseia na comunicação, na interação das pessoas, e que envolve o conhecimento mútuo, a confiança, o apoio, a compreensão, o sacrifício, a estima e o amor.

JESUS, NOSSO AMIGO.
Na Sagrada Escritura, Deus se revela como um amigo; é da boca de Jesus que ouvimos:
“Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai” (Jo 15,15)

DEUS, AMIGO?
Embora falemos de Deus como amigo, talvez não aprofundemos o alcance dessa afirmação. Para um crente, ver Deus como amigo, é encontrar n’Ele tudo aquilo que desejamos encontrar em uma amizade:
1-  comunicação  2- conhecimento 3- confiança
4- fidelidade 5- apoio, ajuda, sacrifício 6- afeição, amor.

A AMIZADE DE DEUS NA SAGRADA ESCRITURA

Repassando alguns textos da Bíblia, percebemos, da parte de Deus, a vivência dessas características essenciais à amizade:
Comunicação: Deus nunca deixou de se comunicar com a humanidade:
- “Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas. Ultimamente nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas” (Hebreus 1,1-2)
- “E o Verbo (a Palavra) se fez carne e habitou entre nós.” (Jo 1,14)
Conhecimento: Deus nos conhece.
- “Senhor, vós me perscrutais e me conheceis, sabeis tudo de mim, quando me sento ou me levanto. De longe penetrais meus pensamentos.  Quando ando e quando repouso, vós me vedes, observais todos os meus passos.
A palavra ainda me não chegou à língua, e já, Senhor, a conheceis toda. Vós me cercais por trás e pela frente, e estendeis sobre mim a vossa mão. Conhecimento assim maravilhoso me ultrapassa, ele é tão sublime que não posso atingi-lo” (Salmos 139,1-6).

Confiança: Deus confia no ser humano
- “Vós sois o sal da terra (...) Vós sois a luz do mundo (...) . “Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus”. (Mt 5, 13-14.16)
- “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo”. (Mateus 28,18-20)

Fidelidade: Deus é fiel
- “Reconhece, pois, que o Senhor, teu Deus, é verdadeiramente Deus, um Deus fiel, que guarda a sua aliança e a sua misericórdia até a milésima geração para com aqueles que o amam e observam os seus mandamentos” (Dt 7,9);
- “Fiel é Deus, por quem fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor”. (1 Cor 1,9)
- “Jesus Cristo é sempre o mesmo: ontem, hoje e por toda a eternidade”. (Hebreus 13,8 )

Sacrifício: Deus se sacrifica por nós.
- “A minha vida, ninguém a tira de mim, mas eu a dou de mim mesmo e tenho o poder de a dar, como tenho o poder de a reassumir. Tal é a ordem que recebi de meu Pai.” (João 10,18)
- “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos.” (João 15,13)
- “Eu vim para que todos tenham vida e para que a tenham em abundância.” (João  10,10)
 
Amor: Deus nos ama.
- “Nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem para conosco. Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele”. (1 João 4,16).
- “Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em nos ter enviado ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por ele. Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos ele amado, e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados.
Caríssimos, se Deus assim nos amou, também nós nos devemos amar uns aos outros”. (1 João 4,8-11)

A AMIZADE DO HOMEM COM DEUS

            Se Deus é esse amigo que dialoga, comunica-se, confia, é fiel, sacrifica-se, ama, somos chamados a aprender d’Ele a sermos seus amigos, imitando-o no seu modo de ser amigo. Santa Teresa, que viveu essa relação de amizade com Deus, pode nos ajudar a compreender melhor a nossa amizade com Deus

Carmelitas, amigos de Deus.

“.... Ele tem tantos inimigos e tão poucos Amigos ...(Santa Teresa, Caminho 1,2)

Quando, no Carmelo, falamos de amizade com Deus, nos vem a figura de Santa Teresa de Jesus, que cunha esta famosa definição sobre a oração, contida até mesmo no Catecismo da Igreja Católica:  “E outra coisa não é, a meu parecer, oração mental, senão tratar de amizade – estando muitas vezes tratando a sós - com quem sabemos que nos ama” (Vida 8,5).


CONSELHOS DE SANTA TERESA


Em relação à comunicação: “Procurai logo, filhas, pois estais sós, arranjar companhia. E que melhor que a do mesmo Mestre que ensinou a oração que ides rezar? Representai-vos o mesmo Senhor junto de vós e vede com que amor e humildade Ele vos está ensinando. E crede-me, enquanto puderdes, não estejais sem tão bom Amigo. Se vos acostumardes a trazê-lO ao pé de vós e Ele vir que o fazeis com amor e andais procurando contentá-lO, não podereis - como dizem - afastá-lO de  vós; nunca vos faltará; ajudar-vos-á em todos os vossos trabalhos; achá-lO-eis em toda a parte; e pensais que é pouco ter um tal Amigo a vosso lado?” ( Caminho 26,1)

Em relação ao conhecimento: “Quando chegardes a ele, refleti e procurai compreender com quem ides falar, ou com quem estais falando.Mil vidas das nossas não bastariam para acabarmos de entender como merece ser tratado este Senhor. Em sua presença tremem os anjos. Ele tudo governa, tudo pode. Seu querer é realizar. Sendo assim filhas, procuremos nos deleitar nessas grandezas de nosso Esposo, vendo com quem estamos desposas e que vida devemos levar com Ele.
            Valha-me Deus! Aqui na terra, quando alguém se casa, antes de tudo trata de indagar quem é o noivo, quais suas qualidades e seus haveres” (Caminho 2,7).

Em relação à confiança: “Já que o bom Jesus vos deu um Pai tão bom, nenhuma aqui conheça outro pai, para se entreter de grandezas. Procurai ser tais, minhas filhas, que mereçais lançar-vos nos braços desse Pai e gozar de sua confiança” (Caminho  27,6)
“Não penseis minhas irmãs que vos faltará o necessário por não contentardes as pessoas do mundo, isto vos asseguro. (...) Olhos fitos em vosso Esposo. Ele vos há de sustentar”. (Caminho 2,1)

Em relação à fidelidade: “... Não é justo que a este Senhor, que nos fez e continua fazendo tantos benefícios, não demos com toda determinação o tempo que resolvemos dar-lhe na oração” (Caminho 23,1).
“Voltando agora aos que o querem seguir sem parar, até o fim, até chegar a beber desta água de vida, direi como se há de principiar.  Importa muito, e acima de tudo, uma grande e firme determinação de não parar até chegar à fonte de água viva, venha o que vier, suceda o que suceder, custe o que custar, murmure quem murmurar, quer chegue ao fim, quer morra no caminho, ou falte coragem para os sofrimentos que nele se encontram. Ainda que o mundo venha abaixo, havemos que prosseguir” (Caminho 21,2)

Em relação ao sacrifício: “Torno a dizer que consiste tudo, ou grande parte, em perder o cuidado de nós mesmos e das nossas comodidades, pois, quem de verdade começa a servir ao Senhor, o menos que Lhe pode oferecer, é a vida. Se já lhe deu a sua vontade, que teme? Claro está que, se é verdadeiro religioso ou homem de oração e pretende gozar favores de Deus, não há de voltar costas ao desejo de morrer por Ele e sofrer martírio. Pois não sabeis, irmãs, que a vida do bom religioso, que quer ser dos amigos mais chegados de Deus é um longo martírio? Longo, porque, para comparar aos que de pronto eram degolados, pode-se chamar longo; mas toda a vida é curta e algumas curtíssimas. E que sabemos nós se a teremos tão curta, que na hora ou momento em que nos determinamos a servir de todo a Deus, logo se acaba? Seria possível; enfim, de tudo o que tem fim, não se deve fazer caso; e pensando que cada hora é a derradeira, quem não há de trabalhar? Pois, acreditai-me, que pensar isto é o mais seguro.” (Caminho 12,3)

Em relação ao amor: “Aqueles que deveras amam a Deus, amam tudo o que é bom, favorecem tudo o que é bom. Com os bons sempre se unem, ajudando-os e defendendo-os. Não prazem senão na verdade e no que é digno de ser amado. Pensais que as almas verdadeiramente enamoradas de deus possam amar as vaidades da terra, riquezas, deleites mundanos? Ou que tenham contendas e invejas? Não, é impossível.
            E o único motivo é porque não pretendem outra coisa senão contentar o Amado. Andam morrendo de desejo que Ele as ame. Vivem a buscar meios de Lhe serem mais agradáveis e de mais o amarem. (Caminho 40,3).
            O que aqui pretende o demônio não é pouco; é esfriar a caridade e o amor de umas para com as outras, o que seria grande dano. Entendamos, minhas filhas, que a perfeição verdadeira é amor de Deus e do próximo e, com quanto mais perfeição guardarmos estes dois mandamentos, seremos mais perfeitas. Toda a nossa Regra e Constituições não servem para outra coisa, senão de meios para guardar isto com mais perfeição. (Moradas I,2,17)

PARA REFLETIR E REZAR:

1) Como está a minha relação de amizade com Deus?
2) Eu reconheço Deus como O AMIGO?
3) Como tenho vivido com Deus os elementos essenciais da amizade: Comunicação, conhecimento, confiança, fidelidade, sacrifício, amor?
4) O que é necessário mudar na minha relação de amizade com Deus?

Frei José Cláudio de Alencar Batista, O. Carrm.

FESTA DE Santa Teresa D´Ávila

Santa Tereza nasceu em Ávila, na Espanha, no ano de 1515. A educação que os pais deram a ela e ao irmão Roderico, foi a mais sólida possível. Acostumada desde pequena à leitura de bons livros, o espírito da menina não conhecia maior encanto que o da vida dos santos mártires. Tanto a impressionou esta leitura que, desejosa de encontrar o martírio, combinou com o irmão a fuga da casa paterna, plano que realmente tentaram executar, mas que se tornou irrealizável, dada a vigilância dos pais.
A idéia e o desejo do martírio ficaram, entretanto, profundamente gravados no coração da menina. Quando tinha 12 anos, perdeu a boa mãe. Prostrada diante da imagem de Nossa Senhora, exclamou: “Mãe de misericórdia, a vós escolho para serdes minha Mãe. Aceitai esta pobre órfazinha no número das vossas filhas”. A proteção admirável que experimentou durante toda a vida, da parte de Maria Santíssima, prova que esse pedido foi atendido.
Deus permitiu que Teresa por algum tempo, enfastiando-se dos livros religiosos, desse preferência a uma leitura profana, que poderia pôr-lhe em perigo a alma. Também umas relações demasiadamente íntimas com parentes, um tanto levianas, levaram-na ao terreno escorregadio da vaidade. O resultado disto tudo foi ela perder o primitivo fervor, entregar-se ao bem-estar, companheiro fiel da ociosidade, sem entretanto chegar ao extremo de perder a inocência.
O pai, ao notar a grande mudança que verificava na filha, entregou-a aos cuidados das religiosas agostinianas. A conversão foi imediata e firme. Uma grave enfermidade obrigou-a a voltar para a casa paterna. Durante esta doença, percebeu o profundo desejo de abandonar o mundo e servir a Deus, na solidão dum claustro. O pai, porém, opôs-se a esse plano, no que foi contrariado por Teresa, que fugiu de casa, para se internar num mosteiro das Carmelitas, em Ávila. No meio do caminho lhe sobreveio uma grande repugnância pela vida religiosa, e por um pouco teria desistido da idéia. Vendo em tudo isto uma cilada do inimigo de Deus e dos homens, seguiu resolutamente o caminho e ao transpor o limiar do mosteiro, os receios e escrúpulos deram lugar a uma grande calma e alegria no coração.
Durante o tempo do noviciado, foi provada por outro relaxamento no fervor religioso que, aliás, pouco tempo durou. Deus mais uma vez lhe tocou o coração, mas de uma maneira tão sensível que Teresa, debulhada em lágrimas, prostrada diante do crucifixo, disse; “ Senhor, não me levanto do lugar onde estou, enquanto não me concederdes a graça e fortaleza bastantes, para não cair mais em pecado e servir-vos de todo coração, com zelo e constância”. A oração foi ouvida e de uma vez para sempre, ficou extinto no coração de Teresa o amor ao mundo e às criaturas e restabelecido o zelo pelas coisas de Deus, do seu santo serviço.
Foi-lhe revelado que essa conversão era o resultado da intercessão de Maria Santíssima e de São José. Por isso, teve sempre profunda devoção a S. José e muito trabalhou para difundir este culto na Igreja.
Profunda era a dor que sentia dos pecados cometidos e dolorosas eram as penitências que fazia, se bem que os confessores opinassem que nenhuma dessas faltas chegava a ser grave. Em visões lhe foi mostrado o lugar no inferno, que lhe teria sido reservado, se tivesse seguido o caminho das vaidades. De tal maneira se impressionou com esta revelação, que resolveu restabelecer a Regra carmelitana, em todo o rigor primitivo. Esse plano, embora tivesse a aprovação do papa Pio IV, a mais decisiva resistência encontrou da parte do clero e dos religiosos. Teresa, porém, tendo a intenção de agir por vontade de Deus, pôs mãos à obra e venceu.
Trinta e dois mosteiros (17 femininos e 15 masculinos) foram por ela fundados e outros tantos reformados. Em todos, tanto no convento dos religiosos, como das religiosas, entrou em vigor a antiga regra. São João da Cruz foi quem assumiu e escreveu as regras para o segmento masculino, a pedido de Santa Teresa.
Em sua biografia há capítulos ( os 11 e os seguintes), que dão testemunho da intensidade da sua vida interior. O que diz sobre os quatro degraus da oração, isto é, sobre o recolhimento, a quietação, a união e o arrebatamento, é realmente aquilo que a oração da sua festa chama “pábulo da celeste doutrina”. Graças extraordinárias a acompanhavam constantemente como fossem: comunicações diretas divinas, visões, presença visível de Cristo.
Um anjo traspassou seu coração com uma seta de fogo, fato este que a Ordem carmelitana comemora na festa da transverberação do coração de Santa Teresa, em 27 de agosto.
Doloroso foi o caminho da cruz pelo qual a Divina Providência a quis levar e não faltou quem lhe envenenasse as mais retas intenções, quem em suas medidas de reforma visse obra do demônio, e intervenção direta diabólica. A calma lhe voltou, quando em 1559, se confiou à direção de São Pedro de Alcântara.
Não tardou que, em 1576, no seio da Ordem se levantasse uma grande tempestade contra a reforma. Veio a proibição de novas fundações, e Teresa viu-se obrigada a se recolher a um dos conventos. Parecia ter-se declarado o fracasso da sua obra: Foi, quando interveio o rei Felipe II. A perseguição afrouxou só pouco a pouco e, em 1580, o Papa Gregório XIII declarou autônoma a província carmelitana descalça.
Esta obra sobre-humana não teria tido o resultado brilhante que teve, se não fosse a execução da vontade divina e se Teresa não tivesse sido toda de Deus, possuidora das mais excelentes e sólidas virtudes, dotada de grande inteligência e senhora de profundos conhecimentos teológicos.
Santa Teresa teve o dom de ler nas consciências e predizer coisas futuras, não lhe faltou a cruz dos sofrimentos físicos e morais. No seio das maiores provações, nas ocasiões em que lhe parecia ter sido abandonada pelo céu e pela terra, era imperturbável sua paciência e conformidade com a vontade de Deus. No SS. Sacramento, achava a forma necessária para a luta e para a vitória.
Sob o impulso de uma graça especial fez o voto de fazer sempre aquilo que a consciência lhe dizia ser o mais alto grau da vida mística. Os numerosos escritos, asseguraram-lhe um dos primeiros lugares entre os místicos.
Oito anos antes de deixar este mundo, foi-lhe revelada a hora da morte. Sentindo esta se aproximar, dirigiu uma fervorosa ordem a todos os conventos de sua fundação ao ou reforma. Com muita devoção recebeu os santos Sacramentos, e constantemente rezava jaculatórias sobre esta: “ Meu Senhor, chegou afinal a hora desejada, que traz a felicidade de ver-vos eternamente.“ – Sou uma filha de Vossa Igreja. Como filha de Igreja Católica, quero morrer.” - Senhor, não me rejeiteis a Vossa face. Um coração contrito e humilhado não haveis de desprezar”.
Santa Teresa morreu em 1582, na idade de 67 anos. Logo após sua morte, o corpo da Santa exalava um perfume deliciosíssimo. Até o presente dia se conserva intacto.
Seu coração, apresentando larga e profunda ferida, acha-se guardado num precioso relicário na Igreja das Carmelitas em Alba.